Colinas, cidade maranhense que integra a região do Alto Itapecuru teve na sua origem o nome Picos. Este foi mudado em razão da Legislação Federal que impedia a duplicidade de nomes a vilas ou cidades brasileiras. Desse modo Picos do Maranhão perdeu para Picos do Piauí por ser esta a cidade mais velha. A partir do Decreto Lei nº. 331, do dia 02 de fevereiro de 1943, a cidade passou a denominação de Colinas.
O processo de formação histórica do município está inserido no chamado território de Pastos Bons, vinculado, portanto, ao povoamento da Corrente Baiana, a qual atravessando e povoando o Piauí estabeleceu as primeiras povoações de Pastos Bons. É importante lembrar que a colonização do Maranhão ocorreu através de duas frentes de expansão; uma foi a litorânea que se expandiu sobre o controle do Estado português. A outra corrente povoadora penetrou o interior e ocupou o território que envolve desde o Alto Itapecuru, Rio Balsas e alcança o Tocantins – o então chamado território de Pastos Bons.
A fazenda de gado constituiu a unidade básica da conquista da região,como também determinou a força de ocupação do solo.
Em 1839 a região atraiu os balaios que fizeram trincheiras em pontos estratégicos, aterrorizando assim os proprietários que temiam perder os negros a sua principal mão de obra.
A região de Pastos Bons embora com seu processo de colonização desvinculado do litoral, a violência praticada em relação aos nativos não foi diferente. O comando de Pastos Bons representado por Manuel Lopes e depois pelo seu filho Domingos Lopes, entre 1793 a 1801, organizaram expedições no sentido de aprisionar índios, fazendo em toda região inúmeros prisioneiros. Os índios Timbiras do sexo feminino e os meninos eram os seus alvos principais.
Em represália a essas atrocidades, os nativos Timbiras lutaram como puderam no sentido de preservar o seu espaço. Chegaram a assolar e despovoar por algum tempo as fazendas de gado que ficavam nas proximidades do Alpercatas.
Dentre estas fazendas pode-se citar: Maté, Maravilha, Gameleira, Salinas e Fazenda
Grande.
Em relação ao povoamento do território que hoje é situado a cidade de Colinas, sabe-se que o Governo Provincial de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara (1806-1809), pretendendo promover a navegação do Rio Itapecuru, incumbiu Francisco de Paula Ribeiro da Construção de um povoado na confluência do Rio Alpercatas com o Itapecuru. Estava-se no ano de 1807, época que a família real portuguesa transferia-se para o Brasil e em sua homenagem, o povoado foi chamado de Arraial do Príncipe Regente.
O local do referido povoado era habitado pelos nativos “os Timbiras Canelas Finas”, que no processo traumático de violência praticada pelo branco, impediram o desenvolvimento do Arraial do Príncipe Regente.
Em 1808, nas proximidades do local citado, em um riacho, a 6 km da atual cidade de Colinas, um menino de 10 anos, trabalhando como servente dos duzentos homens comandados por Manuel.
Lopes foi assassinado pelos Timbiras, em represália aos ataques constantes. Após o “crime” retiraram as orelhas e levaram como troféu pela vitória.
O assassinato dessa criança mostra o grau da violência imposta pelo colonizador branco, que utilizava menores indefesos na busca dos seus objetivos.
Para os nativos, o assassinato de um menino usado nessa “guerra” não compensaria as inúmeras perdas que tinham de mulheres e filhos feito prisioneiros.
Era sim uma vingança em uma luta que sem dúvida sairiam vencidos, pela inferioridade que tinham suas armas em relação ao agressor.
Em 1815, quando Francisco de Paula Ribeiro foi encarregado de fazer a divisão limítrofe do Maranhão com a Capitania de Goiás, iniciou sua viagem pela foz do Rio Itapecurú, na canoa denominada Graça Divina, que o conduziria até o último porto navegável, no mesmo rio. Passou por Caxias e de lá chegou até o arraial do Príncipe Regente, que se encontrava totalmente deserto.
É possível que diante da violência do conquistador na ânsia de ocupar o espaço dos nativos, os poucos sobreviventes terminaram fugindo para a mata deserta.
Diante da resistência dos nativos e o isolamento que havia entre as igrejas Matrizes, no território de Pastos Bons, em 1822 foi criado a Freguesia de Almeida D’el Rei, cuja povoação situava-se a margem direita do Itapecuru.
É importante lembrar que a Igreja Católica desde a vinda dos portugueses ao Brasil, tinha uma estreita relação com o estado. Esta relação se aperfeiçoou cada vez mais estando sempre a Igreja a serviço do Estado, na defesa dos seus interesses. À medida que as freguesias se expandiam, sem dúvida o controle do Estado seria maior.
A criação da Freguesia de Almeida D’el Rei promoveu uma maior integração com o litoral maranhense através do rio Itapecuru. O porto construído a margem direita do rio até meados do século XIX serviu a Pastos Bons e Passagem Franca.
Com o afluxo de trabalhadores rurais de diversas regiões, logo foi plantado um núcleo colonial e foi edificada a Capela de São Miguel. O Pároco indicado para a Freguesia foi Francisco da Rocha, que atendia toda a jurisdição de Almeida D’el Rei, que corresponde as atuais paróquias e municípios de Colinas, Buriti Bravo, Passagem Franca, São João dos Patos, Barão de Grajaú, São Francisco, Sucupira do Riachão.
O local que hoje é Colinas, foi um pouso de viajantes de Passagem Franca e Pastos Bons que se dirigiam a Almeida D’el Rei. Os viajantes que por lá passavam atraídos pelas vantagens naturais fixaram-se construindo suas moradias, pois as terras devolutas eram importantes áreas para expansão da colonização.
Nesse contexto Germano Pereira de Sá obteve por meio de Sesmaria uma vasta área de terra, a partir da qual, se desenvolveu o povoado da chamada Fazenda Grande.
Em 1835, pela Lei Provincial nº. 07 de 29 de abril, foi criada a Comarca de Pastos Bons, que ficou dividida em dois municípios: Passagem Franca e Pastos Bons. A Fazenda Grande de Germano Pereira de Sá ficou pertencendo ao município de passagem Franca e ganhando cada vez mais admiradores daqueles que passavam para transportar suas produções pelo porto de Almeida. A principal produção embarcada para Caxias era o algodão e de lá eram trazidas Mercadorias que abasteciam o mercado das vilas de Pastos Bons e Passagem Franca.
A partir de 1835, Almeida D’el Rei foi anexada a freguesia de São Sebastião de Passagem Franca. O porto de Almeida D’el Rei foi sem dúvida um dos fatores que mais contribuiu para o desenvolvimento da Fazenda Grande. Outras fazendas inseridas no município também se destacavam, como é o caso da Maté, Gameleira, São Félix e Maravilha.
Em 1838, a Balaiada penetrou em parte da província, chegando à cidade de Caxias, que rende-se aos revolucionários. Foi nesse contexto que a Fazenda Grande, do município de Passagem Franca, como muitas outras, foram invadidas pelos Balaios.
Na época, o dono herdeiro da Fazenda Grande era o senhor José Pereira de Sá, que temendo que seus escravos se unissem aos balaios pediu socorro às autoridades de Caxias, vindo reforço sob o comando do Tenente Joaquim Eloi de Queirós. Houve combates no povoado Piquete, onde o Srº. Pereira de Sá morreu. Muitas outras vidas foram ceifadas, onde os seus restos mortais jazem num cemitério no Bairro Piquete.
Com o fim da Guerra da Balaiada o tenente Joaquim Eloi de Queirós passou a residir na Fazenda Grande, integrando a família de Dona Cândida Xavier de Monte Serrat, a viúva do Srº José Pereira de Sá. Outros genros integravam a família, entre eles José Caminha Trajano Brandão e Francisco Figueira.
O ex-tenente Queirós passou a ser um ponto de apoio à viúva, inclusive sendo professor das filhas menores. Essa relação de amizade e consideração logo suscitou o ciúme e rivalidades na família. Diante das intrigas,
Dona Cândida antes de dividir os bens resolveu doar a data da Fazenda Grande à Nossa Senhora da Conceição, a qual compreendia meia légua de terras em quadra, onde na época já havia uma capela de adoração à Padroeira do lugar. Esse ato de Dona Cândida cooperou para o apaziguamento da família e José Trajano Caminha Brandão, passou a ser uma das lideranças da família e do lugar, cooperando sempre para seu engrandecimento.
Aos 28 de maio de 1868, através da Lei Provincial nº. 1338, a Fazenda Grande foi elevada à categoria de Distrito Administrativo, com o nome de Consolação. Com as vantagens que a referida povoação oferecia, muitos dos criadores e produtores de Passagem Franca transferiram suas residências prosperando assim cada vez mais o povoado.
Texto extraído da monografia de Graça Saraiva Barroso